Conheça a história Santa Ana e São Joaquim, pais da Virgem Maria e avós de Jesus Cristo

 

No próximo dia 26 de julho a Igreja celebra a memória dos avós de Jesus Cristo, pais de Nossa Senhora, Santa Ana e São Joaquim. Porém, Papa Francisco há três anos pediu que todas as igrejas no mundo todo celebrassem a data no domingo anterior mais próximo, hoje.

Pouco se sabe sobre a vida de Santa Ana e São Joaquim. Não existem referências bíblicas sobre os dois. O que se sabe até hoje vem dos evangelhos apócrifos, principalmente o protoevangelho de Tiago (datado do século II e provavelmente atribuído ao apóstolo São Tiago Menor) em que é narrada a origem dos pais da Virgem, a luta de Joaquim e Ana para obter de Deus a graça de serem pais, o anúncio do anjo ao casal, até Nossa Senhora ter completado três anos de idade e ser levada por seus pais para ser consagrada aos serviços de Deus no Templo, em Jerusalém.

 

Quem soube melhor condensar toda a história foi São Máximo, Confessor, considerado um dos Pais da Igreja, e portanto, participante do movimento que ficou conhecido como Patrística, homens que dedicaram suas vidas pelo Evangelho, de estudar e ensinar a sã doutrina aos povos e catequizar todo o mundo. São Máximo em sua obra “A Vida da Virgem” reserva algumas linhas a Santa Ana e São Joaquim, citando justamente este apócrifo e alguns outros santos padres que corroboram com o seu relato:

 

Li num livro apócrifo que o pai da Santíssima Virgem tinha uma conduta notável segundo a Lei e era famoso por sua caridade”, diz São Máximo citando São Gregório de Nissa. Porém, já inicia outra parte com suas próprias palavras.

 

“Ele se chamava Joaquim, da tribo de Davi, o rei e profeta, e o nome de sua esposa era Ana. Teve filhos somente na velhice porque sua esposa era estéril. Entretanto, pela Lei de Moisés, estava predestinada a ela a honra das mulheres genitoras, que não é concedida àquelas sem filhos. De fato, Joaquim e Ana eram veneráveis e honrados em suas ações e palavras, pois se sabia que ambos eram da linhagem de Judá e da Davi, e da sucessão dos reis. Depois, as tribos de Judá e de Levi foram por fim unidas, ou seja, juntaram-se o ramo real e o sacerdotal. Pois é isso que está escrito a respeito de Joaquim e de José, com quem a Santa Virgem noivou (Mt 1,16 e Lc 1,5). E embora se dissesse que ele era da casa e da tribo de Davi do lado mais próximo (Lc 1,25), ambos os lados se tornaram um só – um pela natureza, que era de Davi; e o outro por meio da Lei, que eram os levitas. Assim, a bem-aventurada Ana também era um ramo escolhido da mesma casa, o que anunciava que o Rei nasceria da filha deles seria um eminente sacerdote como Deus e como homem. Porém, a falta de filhos entristecia sobremaneira os veneráveis e honrosos pais da Virgem devido à Lei de Moisés e aos gracejos de parte de homens insensíveis; queriam que um filho nascesse deles não somente para dar fim ao opróbrio de ambos, mas também ao do mundo inteiro, assim como para suscitar uma glória superior. Então a bem-aventurada Ana, semelhante à primeira Ana, mãe de Samuel (1Sm 1,9), partiu para o templo e rezou para que o Criador de todas as coisas lhe concedesse o fruto do parto para que, em troca, ela pudesse Lhe consagrar o dom que d’Ele fora recebido. Do mesmo modo, o digno Joaquim não foi negligente e pediu ao Senhor que o livrasse da privação de filhos.

 

O gracioso Rei e generoso propiciador considerou a prece dos retos (Pr 15, 19), e então enviou a mensagem a ambos. Anunciou primeiramente a Joaquim, enquanto este rezava de pé no Templo. Uma voz veio das alturas e lhe disse: ‘Tu receberás uma criança que será uma glória não apenas para ti, mas para o mundo inteiro’. A mensagem dirigida a Joaquim foi anunciada à bem-aventurada Ana, mas ela não parava de rezar a Deus com fervorosas lágrimas. A mensagem também chegou até ela por intermédio de Deus, no jardim em que ela Lhe oferecia preces e súplicas. O anjo de Deus veio até ela e lhe disse: ‘Deus escutou teus rogos, e tu conceberás a anunciadora da alegria, e lhe porás o nome de Maria, por meio de quem se dará a salvação do mundo inteiro’. A gravidez sucedeu à anunciação, e de Ana, a estéril, nasceu Maria, a iluminadora. Então os veneráveis pais da criança feliz e santa regozijaram-se imensamente, e Joaquim organizou um banquete e convidou todos os vizinhos, os eruditos e os rústicos, e todos adoraram a Deus, que por eles obrara um admirável milagre, quando transmutou o tormento de Ana numa glória mais alta, isto é, a porta da porta de Deus, princípio de sua vida gloriosa de suas glórias e mistérios superiores, por intermédio de sua graça, de intercessão e de seu auxílio, pois ela é causa e propiciadora de todo bem.

 

Após deixar de ser uma criança de peito, aquela que nutrisse por nós o Cristo Deus e que dela nasceria, a idade de três anos, seus bens-aventurados pais levaram o Templo de Deus ao templo”.

 

E assim São Máximo, O Confessor, termina seu relato da vida de Santa Ana e São Joaquim. Que a exemplo dos dois possamos, mesmo diante das dificuldades que o mundo apresenta, buscar e encontrar abrigo e consolo em Deus através de uma vida interior, na oração constante e na caridade aos irmãos.

 

Santa Ana e São Joaquim, rogai por nós.

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